Eu só sinto vontade de chorar, como se dentro de mim existisse um grande vazio, um buraco negro que suga tudo que é bom, leve.
Não me reconheço mais, não me admiro mais e não consigo ver onde foi que me perdi. Olho ao meu redor e não me vejo inserida, fazendo parte. Sinto que simplesmente estou aqui.
Voltei à me sentir feia, sem atrativos, sem qualidades, com a sensação de que tudo que faço não tem utilidade ou não agrada. Há anos não me sentia assim, um fardo. É como se nada que eu faço fosse bom, como se tudo pudesse ser melhorado por outra pessoa.
Hoje de manhã estava pensando... ainda bem que não tive outro filho. Não consegui acertar com meu, onde até hoje cometo uma sucessão de erros e não consigo ensinar o certo de uma maneira que seja posto em prática. Imagina o problema se tivesse mais um pra tomar conta e educar?
Talvez eu não tenha nascido mesmo pra ser mãe. Não vim nessa vida com esse dom. Pode ser por isso que to batendo tanta cabeça. Já não fui uma boa filha, como haveria de ser boa mãe?
Fico me questionando por diversas vezes se no fundo não to agindo da mesma maneira que eu sempre critiquei. E toda vez que fiz diferente, o resultado foi igual ou pior do que já era. Ou seja, decepcionante.
Não sei o que fazer. Que atitude tomar, que palavra usar? Tem muitas horas da minha semana em que eu só queria sumir, me teletransportar pra uma praia deserta e ficar na beira da praia observando o mar e as estrelas até esvaziar a mente e adormecer.
Há meses o pedido que faço nas minhas orações é que eu tenha a minha vida de volta, que eu tenha sabedoria pra passar por essa fase difícil e ao final de tudo esteja fortalecida. Mas, pra ser bem sincera, tem horas que nem eu acredito que um dia isso vá acontecer...
