Na última segunda-feira, recebi uma ligação inesperada perto da hora do almoço. Era Ele, dizendo que eu o havia esquecido, perguntando o que tinha acontecido pra eu não ter ligado mais. Eu respondi que simplesmente havia cansado do fato de correr atrás insistentemente o tempo inteiro, e quase nunca receber um feedback. Foi aí, que Ele com seu jeito estúpido, afirmou que sabia que eu estava com outro, e que não adiantaria negar. Resumindo, começou com a velha história de sempre... "não tenho nada contigo, mas não quero ser corno!"
É até engraçado! Desliguei o telefone na cara dele, quando na verdade, a minha vontade era xingar uma dúzia e meia de palavrões no telefone, mas estava no trabalho, com meus patrões na minha sala, e não pegaria nada bem eu me alterar desse jeito.
Esperei uns 5 minutos e liguei de volta. "Escuta aqui, sabe o que me deixa puta? Você pode tudo, você nunca se preocupou com nada quando me sacaneava, agora que o papel se inverteu você está se doendo?" Depois de alguns minutos de conversa, fiz ele ouvir que pelo fato de não ter oportunidade, ainda não havia contado coisas que já queria ter dito. Enfim, ouvi que só dependeria de mim pra termos uma conversa esclarecedora, onde colocaríamos os pingos nos "is".
-" Quarta-feira. pode ser?"
-" Quando você quiser. Você escolhe a hora e o lugar, por mim, tanto faz."
-" Está marcado então. Se você furar comigo, acabou o assunto!"
Fiquei uma verdadeira pilha de nervos nesse dia. Meu coração disparou, minhas mãos tremiam que mal podia digitar, não conseguia me concentrar em nada, e a vontade era só de chorar. Foi brabo tentar manter o foco, e não desabar no trabalho. Tentei ir pra faculdade, mas também não consegui, vim passando mal dentro do ônibus, a pressão oscilando... cheguei na faculdade pálida, suando frio. Desisti de assistir à aula e vim pra casa. Me tranquei no meu quarto e comecei a escrever tudo que eu queria dizer a Ele. Como se fosse uma espécie de roteiro, ou discurso, pra que eu chorasse tudo ali enquanto escrevia, e não hora, lê-se sem pensar na emoção, mantendo a pose. - Passei a madrugada quase toda chorando!
Terça, eu só queria que a hora passasse rápido, que o dia acabasse para o próximo começar. A expectativa de que alguma mudança drástica pudesse acontecer estava me enlouquecendo. Minha mente viajou tanto, que passou pela minha cabeça que no dia seguinte, eu poderia estar tomando a decisão de me casar outra vez!
Enfim, chegou o 'Grande Dia'. Fui trabalhar com uma roupa diferente, com os pensamentos à 1.000 na cabeça. Estava ficando maluca, confusa, cheia de coisas na cabeça, nenhum pensamento fazia muito sentido, tamanha a quantidade e velocidade de informações. Passei o dia achando que no início da noite, a minha vida iria mudar, e que eu deveria estar preparada pra chorar, e chorar muito, sofrer mais um bocado e pela milésima vez, tentar esquecê-lo.
No horário e no local marcados, nos encontramos. Quando me aproximei, a vontade era de abraçá-lo e beijá-lo ali na frente de todos, estava morrendo de saudades. Ficamos conversando na calçada mesmo, encostados na porta de uma loja, um tanto quanto alterados, conversando mais quase num tom de discussão. Ele, quase não me deixava falar, só questionava as minhas atitudes e dizia não tolerar me dividir com outro. A opção de ficar era minha, e eu tinha que decidir. Afirmou não sentir ciúme, caracterizou como, cuidado, precaução, medo... de que eu pudesse agir inconsequentemente, e no fim,o causasse algum dano, afinal, ele tem satisfações à dar em casa. Tocou num assunto, que finalmente fez algumas lágrimas escorrerem pelo meu rosto. Preciso encontrar alguém que vá me fazer feliz de verdade e que tenha 'peito', pra assumir uma relação que envolve uma criança. - Pensei: "Isso NUNCA vai acontecer!"
Depois que Ele decidiu me deixar falar e me ouviu, se acalmou um pouco, foi aí que sugeriu que sentássemos em algum lugar pra terminar a conversa. Numa lanchonete com o ambiente bem mais tranquilo que o meio da calçada, continuamos conversando um pouco mais, agora num clima bem mais ameno. Tomamos alguma coisa, e não tem jeito, quando estamos perto um do outro, a atração sempre fala mais alto. Se tem algum momento que não podemos ficar juntos, dá agonia, inquietação. rs Matamos a saudade.
Não quero estar com uma pessoa desejando outra. Nada melhor que sentir o calor daquele abraço, o sabor daquele beijo e o cheiro daquele corpo. Preciso dizer mais alguma coisa?
Como seria bom se eu pudesse mudar tudo pra melhor... pena que nada depende só de mim!