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segunda-feira, 25 de novembro de 2024

A virada de chave

Nas últimas semanas descobri que estou um anemia severa, e passei muito mal algumas vezes. Cheguei à parar na UPA, socorrida pela minha irmã e meu cunhado, achando que iria morrer, sentindo muito medo.
Estou me cuidando, estou fazendo reposição de ferro e B12, e espero que dentro de pouco mais de 1 mês esteja melhor.
Último trimestre da faculdade com matérias difíceis e aliado a minha dificuldade de compreensão devido a anemia, está bem complicado de estudar. Estou seguindo na cara e na coragem, me forçando a não desistir agora que falta tão pouco.
Na última sexta-feira, dia 22/11 eu finalmente assinei o meu divórcio. Não foi um dia fácil. E não foi pela pessoa da qual me divorciei, foi pelo fato de mudar meu estado civil. Sempre quis casar, era um dos sonhos que eu mais queria realizar e quando casei, tinha certeza de que era pra sempre. Porém, a vida não é como a gente imagina, e inúmeras surpresas estão no nosso caminho. Meu casamento deu errado logo após o 2° ano, e me separei. De imediato pensei logo no divórcio, mas recebi um pedido pra aguardar um pouco, e com isso, o tempo foi passando e como não mudava nada na minha vida, fui deixando de me preocupar com isso. Chegou então, o momento em que eu precisava tomar essa decisão. Não poderia me manter 'casada', ou seria obrigada à dividir meu patrimônio, e eu trabalhei muito pra conquistar cada centavo acumulado. Era a hora de desvincular meu nome do da pessoa que me prometeu infinitas coisas boas e que quando deixou a máscara cair, revelou sua verdadeira face, deixando só tristeza e decepção.
Sempre achei a palavra divorciada feia, pesada e sentia horror só de pensar em usá-la em referência própria. Só que é a minha história. Sim, agora sou divorciada. Fiquei entristecida pelo meu sonho desfeito, não por ter me desvinculado da pessoa que era o meu par. Não sei se as pessoas são capazes de compreender como eu me senti.
Passados 2 dias, fui fazer a tal prova do Enade. Exame obrigatório pro meu curso, para o qual não estudei absolutamente nada. Anemia prejudicando a minha leitura e compreensão, cansaço... Fiz a prova como deu, com o que eu lembrava das aulas, não saí de lá confiante, com a certeza de que acertei tudo, mas também acredito que não tive um péssimo desempenho.
Cheguei em casa me sentindo bem, com a sensação de dever cumprido. Me joguei na cama pra assistir tv e descansar. Parei pra assistir um filme que amo "como eu era antes de você". É um filme de amor, triste. Mas, que faz ver que nem tudo é pra sempre. Sempre que chega no fim do filme eu choro e hoje não foi diferente. Senti uma dor no peito, uma tristeza. Vi que aos poucos estou alcançando meus objetivos, mas aquele sonho de ter uma família "normal", unida, parece ser algo inatingível. Quando essa ficha cai, as lágrimas rolam e meu peito dói. Me lembro de que as palavras têm poder e uma frase que ouvi diversas vezes há anos volta a minha mente como uma pancada "você nunca vai ter ninguém, seu destino é ser sozinha e igual à sua mãe e sua avó ".
Me sinto ingrata, comigo e com a vida, ao não enxergar as coisas boas que conquistei com a mesma intensidade em que foco no que não tenho mais. Todavia, é o que eu sinto. Eu só queria poder mudar tudo e não me sentir tão insatisfeita. Pode ser classificado como egoísmo, mas eu só queria alguém pra me dar colo, um abraço, fazer cafuné e dizer que vai ficar tudo bem.

sábado, 3 de agosto de 2024

Mente vazia, oficina do cão

Hoje cedo meu filho me fez um pergunta que me fez ficar pensativa por todo o dia. "Mãe, porquê quando você acorda pra trabalhar você está sempre passando mal, e hoje não?"
De imediato a minha resposta foi que talvez seja justamente pelo fato de eu saber que preciso ir trabalhar, depois emendei dizendo que possa ser devido à conseguir fazer as coisas no meu ritmo, no meu tempo, sem pressa nos fins de semana, sem pressão.
Saí pra fazer a minha aplicação de B12 e no caminho só pensava nisso, como eu acordo nervosa, agitada, me sentindo forçada todos os dias. Acho que não estou feliz fazendo o que fiz nesses 20 anos na advocacia. Muita cobrança, o medo de errar é cada vez maior, é uma cobrança interna, minha. Às vezes me sinto tão cansada de toda essa responsabilidade, de ter que resolver um monte de coisas sem poder falhar. Fico me sentindo mal por carregar esse "peso" e olhando pra minha vida, vejo que aparentemente não saio do lugar. Não importa o quanto eu trabalhe, o quanto faça, eu não consigo gerar nenhuma mudança significativa na minha vida.
Desde o aniversário do meu filho a sensação de impotência aumentou, o tempo inteiro ele me pede coisas, me faz cobranças e a única resposta que dou é 'agora não dá, não consigo '. Eu sei que nem tudo se trata dos presentes que podemos dar aos nossos filhos, mas na minha condição de ausência, oferecer um pouco de conforto, uma melhor qualidade de vida é algo que é importante pra mim.
Eu tenho feito o máximo que dá, mas nem sempre é o suficiente, na verdade, acho que quase nunca é o suficiente. Ainda mais quando os pedidos são feitos em sucessão, com um ar de cobrança, como se fosse obrigação, fazendo com que eu me sinta totalmente frustrada.
Cada dia que passa eu me sinto mais incapaz, mais fracassada, mais triste.
O meu peito fica apertado, parece que vai explodir e às vezes tudo que eu queria era poder acabar com essa agonia, com essa dor que parece que está me destruindo por dentro. Minhas crises de ansiedade estão mais frequentes, e a medicação não está resolvendo muita coisa. Tem dias que eu só queria sumir do mundo, desaparecer, morrer, sei lá... Théo é o maior motivo de ainda não ter desistido, em segundo, minhas contas em aberto. Se eu faltar agora, antes que ele seja capaz de se manter, como ele vai ficar? Vou deixar mais uma responsabilidade exclusiva nas costas da minha mãe, e não é justo.
Queria sair da minha realidade, da minha rotina, mas não tenho ânimo pra isso. É como se fosse um desejo distante, sabe?
Hoje por exemplo, duas amigas me chamaram pra sair de casa. Eu recusei os dois convites. Chorei feito criança depois, mas eu não tenho ânimo pra sair, a vontade é de ficar sozinha, quieta, de preferência, em silêncio. Não estou com vontade de sorrir e nem quero ninguém sentindo pena de mim.
Almocei e como têm sido todo fim de semana, deitei enrolada no edredom e dormi. Acordei visivelmente abatida. Théo perguntou se eu estava passando mal, respondi que não. Ele então, comentou que eu estava aparentando estar triste, respondi que só não estava legal, mas estava tudo bem.
Fui pra cozinha fazer o que ocupa a minha mente, o que me acalma, me diatrai. Cozinhar.
Preparei 2 mousses de chocolate e uma massa de bolo. Dia 07 é aniversário do 'Meliante' (um amigo de infância que a vida afastou, e há 1 ano nos aproximamos, fazendo com que a amizade dele hoje signifique muito pra mim), e eu fiz questão de fazer um bolo pra ele.
Montei tudo, com o maior carinho. Não está lindo, pois a minha condição com o tremor essencial está piorando a cada dia mais, e detalhes estão mais difíceis de fazer, mas espero que esteja gostoso. Fiz um aqui pra casa também, pro Théo levar um pouco amanhã. Depois que terminei, vim pro quarto e em 5 minutos de ócio, os pensamentos voltaram a minha cabeça, as lágrimas rolaram novamente e pra ajudar a aliviar essa sensação de bomba-relógio, resolvi escrever.
Várias outras lágrimas rolaram, a vontade de desistir voltou, mas após dedicar alguns minutos à escrever, estou sentindo o peito um pouco menos apertado.
Acho que dessa vez consegui não surtar!
Um dia de cada vez.

domingo, 7 de julho de 2024

Uma mente doente cria dor física

Estranho como a ansiedade faz com que a gente tenha pensamentos estranhos e muitas vezes sem sentido. Passei o dia angustiada, dormi mais de 13h, o meu corpo estava estranho, dolorido, dor de cabeça, tontura, sonolência, cansaço. Desde ontem a noite, pensamentos tristes, angustiantes. A vontade de chorar nunca passa. Aquele buraco negro dentro do peito surge sem aviso prévio e afasta qualquer possibilidade de alegria. Um milhão de coisas passam na cabeça ao mesmo tempo sem que consiga focar em apenas uma. Outra vez me veio a idéia de acabar com tudo, de simplesmente aliviar essa dor do meu peito de uma forma definitiva. Eu poderia me entupir de remédios, pois, ultimamente, eles sobram aqui em casa. Mas, no instante seguinte, pensei no quanto seria egoísta estragar o aniversário da minha mãe e o quanto seria cruel abandonar meu filho.
Eu não consigo parar de chorar enquanto parece que meu peito vai explodir. Eu só queria voltar à ser normal, sem me sentir incapaz, insuficiente. Não quero conversar com ninguém, não quero que sintam pena da " pobre menina incompreendida", não quero o carimbo de "aquela que não conseguiu nada". Eu não sei lidar com essa dor, eu não sei. Eu só me sinto um fracasso total. Eu não consigo olhar pra trás e enxergar conquistas, não consigo ver pontos positivos. Só vejo falhas, muitas falhas. Coisas que abandonei pelo caminho, más escolhas, decisões erradas e todo o tempo que se passou e eu perdi.
Que merda eu fiz da minha vida, afinal? Essa vontade de desistir não passa! Tenho vivido sempre esperando o dia da próxima crise de choro e isolamento. Quando me divirto, depois meio que me culpo pelos sorrisos, e aguardo a nuvem escura e pesada da tristeza chegar. Quantas vezes eu saí pra me divertir, e no dia seguinte, estava me questionando por ter vivido aqueles momentos alegres?
Queria ser uma rocha, ser indestrutível como uma das minhas músicas prediletas, mas eu não "sou de titânio", na maior parte do tempo me sinto tão frágil como um pedaço de papel.

domingo, 14 de abril de 2024

A vida em preto e branco

Eu não vou chorar novamente. Prometo pelo menos, tentar. É que os pensamentos surgem na minha mente feito milho estourando na panela e virando pipoca. Acordei nessa sexta-feira bastante reflexiva e com o astral baixo. Não consigo parar de pensar em como os reforços negativos que recebi a vida inteira me afetaram e se fixaram na minha cabeça. Fecho os olhos e relembro as frases: "você nunca vai conseguir", "isso não é pra você", "ninguém nunca vai gostar de você", "seu destino é viver sozinha", "se enxerga. Feia, mole, com filho", sempre coisas do sentido de que deveria me contentar com o 'pouco' que tinha, pois para alguém como eu, já era muito.
Saí da cama hoje com a sensação de fracasso, mesmo tendo consciência de que mesmo com passos lentos, consegui fazer coisas que não imaginava realizar. Porém, ainda assim, não consigo me sentir feliz por isso. Estranho como tenho a sensação de que desperdicei a minha vida e que todas as minhas escolhas foram erradas.
Não paro de pensar em como gostaria de zerar tudo e recomeçar, de fazer muita coisa diferente para que hoje não me sentisse tão inferior como me sinto. Como me deixei ser tão destratada, humilhada e ridicularizada a ponto de fazer com que eu duvide de mim todo o tempo?
Às vezes fico pensando que jamais sentirei orgulho de mim, pois além de ter a necessidade de provar pro mundo o meu valor, me convencer de que sou merecedora de qualquer conquista mínima, é difícil.
É como se eu fosse uma pessoa ruim, sabe? Aquele tipo que colhe o que planta, logo, não pode reclamar de nada. Será que eu não consigo enxergar os meus defeitos e só estou recebendo do universo aquilo que eu ofereço pro mundo diariamente?
Parece que eu não saio do lugar, mesmo batalhando por mudanças.
Comecei a escrever na sexta-feira, dentro do metrô, no caminho para o trabalho, enquanto lágrimas insistiam em rolar e eu tentava inutilmente impedir que saíssem dos meus olhos. Retomei a escrita hoje, domingo, depois de assistir um filme policial cuja a trilha sonora era "O que sobrou do Céu" do O Rappa. Fechei os olhos, cantei como se só existisse eu no mundo e comecei a chorar novamente. Não sei explicar o que estou sentindo, não é bem uma tristeza, é um vazio, sei lá...  não estou conseguindo lidar com a alegria, acho que os sorrisos estão me incomodando. Nunca pensei que fosse me sentir assim um dia, coisa pesada de se falar, né? Mas, é isso que tô sentindo.
Cada vez sinto mais vontade de focar sozinha, quieta, em silêncio. Atualmente ouvir música dentro de casa é coisa rara de acontecer, música só no sair e voltar pra casa que é pra dar uma força na ida e no retorno, tenho valorizado cada vez mais o silêncio, a sensação de paz que ele me causa. 
Parece que sou um desenho em preto e branco no meio de uma animação repleta de cores, achando tudo à minha volta meio fora de contexto, sem graça. Tô ficando chata de verdade, e essa fase mais fechada acho que vai me fazer perder alguns dos meus amigos. Nem todo mundo entende essa necessidade de se manter mais reclusa, mais distante e mais sozinha.