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quarta-feira, 13 de dezembro de 2023

O fim do ano

A vida têm ficado cada vez mais corrida. A cada dia que passa são mais tarefas à fazer. E enfim me dei conta, 2023 acabou.
Desde que dezembro começou, iniciou-se uma nova crise de ansiedade/depressão. Eu nem sei mais distinguir uma coisa da outra, pois os sintomas são tão ruins, angustiantes...
Perdi a vontade de sair, sinto cada vez mais vontade de ficar sozinha, isolada dentro de casa. Às vezes eu queria desabafar na intenção de aliviar esse peso dentro do meu peito, mas é justo com qualquer outra pessoa despejar meus medos, frustrações e problemas?
Todo mundo tem os seus problemas, as suas inseguranças que muitas das vezes não fazem ideia de como resolver. Não acho certo alugar os ouvidos de outra pessoa com os meus problemas, quando ela já possui os dela pra se preocupar. 
Tenho chorado bastante ultimamente, tenho me questionado sobre infinitas coisas. Fiz um investimento mal sucedido, gastei o que não podia no cartão de crédito comprando insumos para a produção de pães recheados. Vendi 3 fornadas, e acabei distribuindo boa parte da produção. O que lucrei, não cobre 20% do que gastei. Como vou pagar? Eu também não sei. E como boa capricorniana que gosta de ter tudo sobre controle, essa é uma das coisas que está tirando meu sono.
Percebo que me afastei dos meus amigos, não de forma brusca e nem intencional, mas a correria da vida e meu desejo de me fechar têm contribuído fortemente pra isso. Percebo que alguns estão chateados com a minha ausência, mas não me sinto bem pra socializar. E é chato estar em um lugar, na presença de alguém que claramente não quer estar alí. É uma situação desconfortável. Nas últimas semanas, alguns amigos meus perderam entes queridos, e sinceramente, eu não sei lidar com isso. A atitude que consigo tomar é me afastar um pouco, deixar a pessoa processar o momento de dor na dela, em paz. Eu não sou "good vibes", e esse meu momento mais introspectivo não me deixa enxergar a vida como um lindo girassol. Se eu preciso de tempo e silêncio pra ressignificar algumas coisas, acredito que as outras pessoas também precisem. Espero que consigam me entender em algum momento.
Há alguns dias eu acordo com o coração acelerado, agitada e absurdamente cansada. Ultimamente tenho rezado para o tempo passar rápido, para o feriado chegar, para no ano acabar. Venho pensando bastante sobre o meu trabalho e a maneira como ele vêm me consumindo mentalmente. Queria não me preocupar como me preocupo, contudo é algo que não consigo mudar. Me sinto responsável demais por tudo que acontece, e a possibilidade de cometer um erro me desespera. Eu sonho com o trabalho, acordo muitas vezes assustada, e quantas crises de choro na madrugada com medo?
Hoje acordei muito angustiada, meu peito parece que vai explodir, pensei em chegar no escritório e avisar que ano que vem não vou conseguir continuar. Em seguida, pensei que não sei fazer outra coisa além do que faço, que preciso de um emprego que me pague no mínimo a mesma coisa que recebo hoje, para conseguir me sustentar e quando penso nas contas, meu coração acelera ainda mais.
Minha faculdade? Falta 1 ano,  e, agora, 4 estágios. Não faço ideia de como vou fazer pra concluir! Tô me sentindo perdida. No escritório, não tenho tempo pro estágio, e sem estagiar, não me formo. Olha a sinuca!
Ansiedade à mil, por vários dias me peguei comendo incessantemente, ainda que sem fome. Vi que era ansiedade, porém não consegui me parar. É como se comer me desse uma satisfação momentânea, como se estivesse jogando areia pra tapar um buraco. Só que o buraco existe, é fundo e logo reaparece. Subo na balança e vejo os números que antes desciam ou se mantinham estáveis, subindo gradativamente. Me observo no espelho e não consigo mais gostar do que vejo, me enxergo feia. Em seguida, os fantasmas do passado me assombram novamente com uma força descomunal, cenas voltam à minha cabeça como um flashback e consigo até ouvir as vozes: "Olha pra você, ridícula"; "Ninguém nunca vai te querer. Você vai morrer sozinha"; "Está se achando a Barbie, bonita? Deixa alguém tirar a sua roupa pra ver a merda que é"; "Viu as pessoas te olhando e comentando? Você não sente vergonha? Eu senti!"; "Nenhum cara vai ficar com você, eles vão te usar, vão te comer e só".
Ontem no metrô, ouvi parte de um diálogo entre 2 amigas que estavam do meu lado. Elas falavam sobre o caso da Preta Gil que foi traída duplamente, pelo marido e pela amiga. No decorrer da conversa, uma delas fez a seguinte constatação: nenhum cara 'bonito', com o corpo trabalhado fica com uma gordinha. Eles dizem que gostam, pegam, mas não assumem. Pra sociedade, eles preferem uma mulher "'que se cuida", na linguagem deles, é questão de saúde e não só de estética. Eles ficam com as mais gordinhas, mas pra assumir relacionamento, não rola, sentem vergonha.
Aquilo grudou na minha cabeça feito chiclete na sola do sapato. Fiz uma reflexão com base na minha vida, e percebi que é real. Quantos caras me procuram até hoje, muitos casados, que me conhecem desde a minha adolescência. Alguns já passaram pela minha vida, e basta só uma oportunidade pra uma brincadeira de duplo sentido, que a intenção vem a tona. Quantas vezes já ouvi "você é uma mulher linda, incrível, merece alguém que te valorize". Hoje quando escuto ou leio algo assim, dou risada. Fica óbvio que se for pra ser amante, um caso, eu sirvo. Deve ser por isso que estou sozinha há quase 4 anos. Qual seria o motivo de ser uma pessoa muito legal, agradável, bonita, mas não ser boa o suficiente para um relacionamento?
Tem horas em que tudo se soma e me sinto um fracasso total. É uma nuvem pesada e escura de temporal que se instala acima de mim e fica, deixando tudo cinza e cheio de névoa, triste e frio. Em alguns momentos só sinto vontade de sumir, de desaparecer, como se assim esse aperto no meu peito pudesse ser aliviado. Será que se fosse possível arrancar o coração do corpo, essa dor sumiria?
Faltam 5 dias de trabalho até que a pausa do recesso de fim de ano comece, e a sensação que tenho é de que serão os 5 dias mais longos e cansativos da minha existência. Eu só queria que tudo acabasse logo!

sexta-feira, 14 de abril de 2023

Crise da meia idade

Tá, eu sei que faz um tempo absurdo que não passo por aqui. Tanta coisa nova aconteceu nesse intervalo, e ao mesmo, parece que tudo continua exatamente igual. Coisa meio de maluco, né?!rs
Hoje eu acordei ainda mais pensativa sobre a minha vida, minhas conquistas, minhas escolhas. Ontem, saí de casa pela manhã, bem cabisbaixa, entristecida, me questionando se estava no caminho certo, tentando não me culpar por estar perto dos 40 anos e não ter conseguido alcançar nada.
As lágrimas foram escorrendo discretamente enquanto eu caminhava pela rua, e me senti frustrada, sem propósito. O que eu fiz até aqui? Era a pergunta que vinha à minha mente, e a resposta era automática: "nada". Eu perdi tempo de vida nesses 37 anos? As únicas decisões "certas" e realmente importantes foram o nascimento do meu filho e a minha cirurgia. De resto, parece que foi só tiro no pé. 
Será que é a tal da crise da meia idade? É isso mesmo? A gente fica se questionando infinitamente sobre a vida? Nos últimos dias tenho pensado muito sobre como eu mudei o meu jeito nos últimos anos, mais ainda nos últimos meses.
Conversando com a minha irmã há uns dias atrás, comentei a respeito de uma coisa que eu fazia toda sexta-feira, e desde que meu pai morreu, não tenho mais ânimo, a minha "resenha de eu comigo mesma". Evento que eu fazia praticamente toda sexta-feira após chegar do trabalho, com som alto, clipes na televisão da sala, petiscos, cerveja gelada ou drinks, para tirar o peso da semana com os problemas do escritório, uma maneira que eu encontrei de aliviar a tensão, extravasar, relaxar, mesmo que sozinha na sala de casa.
De uns meses pra cá eu voltei à ter crises de ansiedade, às vezes, sinto que elas estão ainda mais fortes, me consumindo e tirando o meu ar de forma literal, até. 
No escritório, muitas transformações e mudanças, numa visão ampla, as coisas melhoraram, mas o meu medo de errar tornou-se ainda maior. Mês passado, eu cometi um erro grave, erro que eu mesma, ainda não fui capaz de superar. Isso me abalou bastante, fiquei dias sem conseguir dormir, com um aperto no peito me dando a sensação de que não conseguiria respirar. Trabalho com Direito há 18 anos, e nunca havia passado por tal situação, me desesperei, me vi sem chão, pois sei da minha responsabilidade, e antes mesmo de temer o julgamento do meu superior, o meu próprio julgamento era o que estava me fazendo surtar. Simplesmente não conseguia parar de pensar, foram mais de 7 dias agoniada, com a sensação de que meu peito explodiria à qualquer momento, pensando em desistir de tudo. Realmente, conviver com essa coisa de ansiedade não é nada simples, é de enlouquecer mesmo!
Depois disso, venho tendo essa sensação constantemente, parece que estou sempre com o "alerta ligado", como se minha mente estivesse esperando por algo ruim no minuto seguinte. Em alguns momentos o coração acelera muito, dá uma sensação de pânico, muito, muito medo. A vontade de chorar chega, o corpo arrepia, vai dando frio, como se uma nuvem muito escura e carregada me envolvesse, e a tempestade devastadora pudesse desabar no instante seguinte.
Quando lembro da Joseane de 1 ano atrás, penso em uma pessoa diferente. Não posso dizer que era feliz, pois faz tempo que não me sinto assim, mas é como se tivesse perdido o meu brilho, me sinto um tanto quanto apática, sinto um vazio por dentro, como se tivesse faltando algo. Penso e choro, pois não sei o que fazer, como agir. Acho que na verdade, nunca mais vai ser como já foi. Me questiono o que aconteceu de errado, o que fiz de errado. Bate uma dúvida que me consome, e faz com que me sinta ainda mais perdida, será que estou mesmo no caminho certo?
Queria ser dessas pessoas decididas, fortes que seguem em frente sem olhar para trás e não se questionam, mas depois de algumas escolhas péssimas, não confio mais no meu próprio julgamento e fico com receio de fazer tudo errado novamente e passar por toda dor e sofrimento outra vez.
Eu tomei um tombo há 3 anos, e parece que não consegui me levantar desde então. Como se tivesse fraturado a perna, e não sentisse mais segurança pra ficar de pé e apoiar o peso,  sabe?! 
A verdade é essa, venho me sentindo péssima, fraca, desanimada e por muitas vezes com vontade de jogar tudo pro alto. Com saudade da Josie que fui, de como me divertia, de como me sentia leve, sem essa agonia dentro de mim, e ao mesmo tempo, sem fazer a mínima ideia do que fazer para resgatá-la.
A vontade que tenho é de sair por aí sem rumo, só seguir, observar as paisagens, esvaziar a mente, deixar as lágrimas rolarem e procurar não me preocupar com mais nada, só esquecer. Esquecer tudo, esquecer essa vida.