Sei que não foi por mal, a intenção foi justamente o contrário mas, o tiro saiu pela culatra. Ouvi que "puxei minha mãe ", "é o segundo relacionamento e aconteceu outra vez", "você precisa se respeitar mais". Certas frases não saem da minha cabeça e ficam ressoando feito disco arranhado.
É praticamente impossível não me sentir culpada. A sensação de fracasso é arrebatadora! Mais uma vez não deu certo. - Coitada!
Os questionamentos vêm à minha mente com um furor sem igual. Aonde foi que errei? Qual o enorme defeito que tenho pra não conseguir segurar mais um casamento? Será que sou mesmo tão insuportável assim? Talvez aqueles que elogiam o meu sorriso nas fotos mudem de ideia ao conhecerem um pouco da minha personalidade no cotidiano. Talvez eu seja uma fraude, uma farsa, uma ilusão.
To me sentindo aquela que não deu certo. Aquela que desperta pena, dó nas pessoas. A pobre coitada que não consegue se virar, que não consegue se manter e que não escuta os conselhos dos que querem ajudar.
Todo mundo quer opinar, mas são poucas as mãos realmente esticadas pra me dar apoio. Quando as minhas lágrimas rolam, eu to sozinha, na solidão do meu mundo, afogada na minha tristeza. Tem dias em que eu só queria um abraço bem apertado, um colo mas, não tenho. Alguns dias eu passo de boa, mas vários outros eu não consigo segurar a onda e por mais que eu tente não me cobrar e não me culpar, gatilhos como o de hoje são acionados e o furacão devastador toma conta de mim.
Queria ser perfeita o bastante pra conseguir manter uma família, do tipo de comercial de margarina, com todos se amando e sorrindo. Tem tantas pessoas que não tem uma vida perfeita, mas estão alí, se apoiando, vivendo e enfrentando tudo juntos. Talvez eu não tenha nascido pra isso, tipo uma falha no DNA. Devo ter vindo ao mundo com defeito, pois eu "preciso saber escolher".
