Powered By Blogger

quarta-feira, 25 de novembro de 2020

A falha no DNA

Não se trata só do término de um relacionamento, não se trata só sentir saudade de algo que não se tem mais. Vai além disso, muito além. Que vontade de sumir! Que vontade de desaparecer! Queria virar poeira pro vento me levar...
Sei que não foi por mal, a intenção foi justamente o contrário mas, o tiro saiu pela culatra. Ouvi que "puxei minha mãe ", "é o segundo relacionamento e aconteceu outra vez", "você precisa se respeitar mais". Certas frases não saem da minha cabeça e ficam ressoando feito disco arranhado.
É praticamente impossível não me sentir culpada. A sensação de fracasso é arrebatadora! Mais uma vez não deu certo. - Coitada!
Os questionamentos vêm à minha mente com um furor sem igual. Aonde foi que errei? Qual o enorme defeito que tenho pra não conseguir segurar mais um casamento? Será que sou mesmo tão insuportável assim? Talvez aqueles que elogiam o meu sorriso nas fotos mudem de ideia ao conhecerem um pouco da minha personalidade no cotidiano. Talvez eu seja uma fraude, uma farsa, uma ilusão.
To me sentindo aquela que não deu certo. Aquela que desperta pena, dó nas pessoas. A pobre coitada que não consegue se virar, que não consegue se manter e que não escuta os conselhos dos que querem ajudar.
Todo mundo quer opinar, mas são poucas as mãos realmente esticadas pra me dar apoio. Quando as minhas lágrimas rolam, eu to sozinha, na solidão do meu mundo, afogada na minha tristeza. Tem dias em que eu só queria um abraço bem apertado, um colo mas, não tenho. Alguns dias eu passo de boa, mas vários outros eu não consigo segurar a onda e por mais que eu tente não me cobrar e não me culpar, gatilhos como o de hoje são acionados e o furacão devastador toma conta de mim. 
Queria ser perfeita o bastante pra conseguir manter uma família, do tipo de comercial de margarina, com todos se amando e sorrindo. Tem tantas pessoas que não tem uma vida perfeita, mas estão alí, se apoiando, vivendo e enfrentando tudo juntos. Talvez eu não tenha nascido pra isso, tipo uma falha no DNA. Devo ter vindo ao mundo com defeito, pois eu "preciso saber escolher".

domingo, 8 de novembro de 2020

Resumo do fim de semana

Esse fim de semana fui em alguns lugares na intenção acalmar meu coração, elevar a minha energia. Me senti bem, ouvi coisas que precisava ouvir, refleti. Fiquei mais próxima do meu pai e da minha madrasta, passei a tarde e a noite de sexta, praticamente, inteiras, conversando com um amigo que está muito longe, mas que conseguiu se fazer presente mesmo estando do outro lado do aceano.
Foram quase 12h de conversa, que passaram sem que eu pudesse sentir todo esse tempo. Sabe quando a sua mente viaja? Como é bom sentir que existem pessoas que se importam com você e te querem bem, mesmo não sendo parte da sua família!
Ontem voltei pra casa, o primeiro sábado que passei aqui dentro depois de 2 meses. O que eu fiz? Praticamente nada. Dormi. Acordei no meio da tarde, lavei roupa, lanchei e tinha a intenção de ir pra casa da minha irmã. Acabei de comer e passei mal, deitei e dormi novamente. Acordei já passavam das 18h. Corpo pesado, dor de cabeça, moleza, desânimo...
Aproveitei e procurei curtir o momento com meu filho. Pipoca, sofá e filme. Não me lembro quando foi a última vez que fizemos isso. Mais tarde um lanche e mais um filme... Essa semana tirei todas as fotos da estante, e acho que ajudou. Não pensei, não senti incômodo nenhum...
Dormi novamente, pouco depois de 1h da manhã. Minha oração como de costume e disjuntor desligado em poucos minutos.
Acordei cedo, 7 e pouco. Cozinha, como sempre. Louça lavada, fogão limpo e café pronto. Pego minha xícara e me acomodo no sofá. Ligo a tv e lembro do amigo do outro lado do oceano, estava passando um filme que havíamos falado: "como se fosse a primeira vez ". Fiquei assistindo e meu corpo se arrepiou, como se um frio repentino me invadisse. As falas dos personagens me trouxeram uma tristeza angustiante, uma dor de dentro pra fora, um vazio enorme, como um buraco negro bem no meio do meu corpo. Lágrimas, muitas lágrimas enquanto tentava trabalhar o pensamento na intenção de não me deixar dominar por essa energia.
Meu filho acordou com meu choro, deitou do meu lado, me abraçou e disse: não fique assim mãe, para de chorar, já passou e estou aqui.
Respirei. Enxuguei minhas lágrimas. Preciso ser forte, vou superar isso!
Não vou me deixar abater. Sei do meu valor e sou mais que isso. Talvez hoje nem saia de casa, não tô muito animada pra isso, mas não vou deixar a peteca cair. Assim como a fênix, me refarei das minhas cinzas, voltarei radiante, com toda a força e energia pra recomeçar mais uma vez.

segunda-feira, 19 de outubro de 2020

Outra vez...

Às vezes está tudo bem, to sorrindo, super "cheia de mim", batendo no peito e confiante de que nada me abala. Aí minha mente roda, os pensamentos voam com força, nem sempre para lugares de luz, e surge aquela tristeza lá do meio do meu ser e vem tomando conta de tudo como uma mancha de óleo contaminando a água límpida. 
Realmente não tem sido nada fácil, e cada dia é mesmo uma nova batalha que eu enfrento. Hoje mesmo, acordei disposta à ir lutar, mas até chegar ao trabalho infinitos pensamentos passaram pela minha mente e até o respirar vai ficando menos fácil. 
Distraí, trabalhei, dei risadas e voltei pra casa. É estranho pois aqui dentro, alguns minutos em silêncio são capazes de me fazer viajar no tempo como se um filme passasse na cabeça. São tantos momentos tristes, angustiantes... lembranças pesadas assombram esse lugar. Que energia ruim!
Agora eu to aqui, sem forças pra nada, jogada no  sofá, com os olhos marejados mais uma vez. A diferença é que agora eu não posso desabar. Meu filho está comigo, bem ali no quarto ao lado, e não posso deixar ele me ver nesse estado. Só consigo olhar pro teto e pedir aos Céus força pra não dobrar meus joelhos, não fraquejar.
Respiro fundo, enxugo as lágrimas e tudo que eu queria era um abraço bem apertado e ouvir "calma, vai ficar tudo bem. Estou aqui."
Me pergunto o que há comigo pra tudo sempre dar errado? Tenho a sensação de que nunca vou fazer nada certo, que estou fadada à escolhas erradas e decepcionantes.
Estou sem forças, me sentindo fraca, um fracasso. Outra vez...

sábado, 29 de agosto de 2020

Não está tudo bem. Não estou legal

Está tudo bem até que em questão de segundos meu mundo desaba. Estou fazendo qualquer coisa e eu perco o foco. A mente volta em lembranças do passado e vários questionamentos surgem. O que eu estou fazendo de errado? Onde eu errei? O que é preciso fazer pra mudar? E a resposta pra todas as perguntas é 'não sei '. 
Eu só sinto vontade de chorar, como se dentro de mim existisse um grande vazio, um buraco negro que suga tudo que é bom, leve. 
Não me reconheço mais, não me admiro mais e não consigo ver onde foi que me perdi. Olho ao meu redor e não me vejo inserida, fazendo parte. Sinto que simplesmente estou aqui. 
Voltei à me sentir feia, sem atrativos, sem qualidades, com a sensação de que tudo que faço não tem utilidade ou não agrada. Há anos não me sentia assim, um fardo. É como se nada que eu faço fosse bom, como se tudo pudesse ser melhorado por outra pessoa.
Hoje de manhã estava pensando... ainda bem que não tive outro filho. Não consegui acertar com meu, onde até hoje cometo uma sucessão de erros e não consigo ensinar o certo de uma maneira que seja posto em prática. Imagina o problema se tivesse mais um pra tomar conta e educar?
Talvez eu não tenha nascido mesmo pra ser mãe. Não vim nessa vida com esse dom. Pode ser por isso que to batendo tanta cabeça. Já não fui uma boa filha, como haveria de ser boa mãe?
Fico me questionando por diversas vezes se no fundo não to agindo da mesma maneira que eu sempre critiquei. E toda vez que fiz diferente, o resultado foi igual ou pior do que já era. Ou seja, decepcionante.
Não sei o que fazer. Que atitude tomar, que palavra usar? Tem muitas horas da minha semana em que eu só queria sumir, me teletransportar pra uma praia deserta e ficar na beira da praia observando o mar e as estrelas até esvaziar a mente e adormecer.
Há meses o pedido que faço nas minhas orações é que eu tenha a minha vida de volta, que eu tenha sabedoria pra passar por essa fase difícil e ao final de tudo esteja fortalecida. Mas, pra ser bem sincera, tem horas que nem eu acredito que um dia isso vá acontecer...

sexta-feira, 26 de junho de 2020

Escrevendo o futuro

Nos últimos dias percebi que tenho pensado com uma certa frequência no meu relacionamento antigo. E hoje, depois da minha primeira consulta com um psicólogo, me dei conta de que só tenho lembranças tristes. Vários momentos voltam à minha mente, mas todos são de situações de stress, de sofrimento, dor. O psicólogo perguntou minha idade, disse que eu era muito nova pra ter me prendido a isso, e questionou o fato de ter vivido por tanto tempo numa relação psicopata. Hoje, vejo o quão destrutiva foi essa relação pra mim. Eu sei que não foram só coisas ruins, existiram bons momentos, mas, agora só me lembro das dores. Engraçado isso.
Fui questionada se eu ainda sentia algo sobre o antigo relacionamento, e a resposta foi mais rápida até que o meu pensamento. Não! Não me abala mais, não me importa mais. Não sinto nem mais rancor! Passou! E to me sentindo bem por estar liberta. 
Tornou-se indiferente. Como eu desejei que esse dia chegasse! Isso aconteceu faz tempo, mas só hoje prestei atenção nisso. Todas as lembranças são dolorosas, tristes, cheias de lágrimas. Nesse momento eu me pergunto, como pude me submeter a isso tanto tempo? Eu não merecia!
Atualmente, não estou vivendo um mar de rosas. Meu marido me ensinou que casamento é assim mesmo. Mas, a paz que existe dentro da minha casa e dentro da minha relação não têm preço. 
Ao final de tudo, percebo que evoluí. Amadureci muito e sou capaz de dizer com toda certeza o que não quero mais pra minha vida.
Eu não sou lixo. Eu não sou lanchinho. Eu não sou ridícula. Eu não sou piranha.
Sou uma muher independente, bonita, dona da minha vontade, capaz de conseguir o que quiser, e que não depende mais da aprovação ou opinião de homem pra nada. 
Definitivamente, virar a página e escrever um novo capítulo da minha vida, era tudo que eu precisava! Sigo, preenchendo as páginas em branco do futuro, sem saudade alguma do que foi passado.
Feliz por mim! Feliz! Eu consegui!