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sábado, 11 de janeiro de 2025

Agonia que sufoca

Saudade de quando chorava pela dor de um joelho ralado ao cair de bicicleta na calçada. Hoje a dor é mais intensa e não passa. Ela apenas ameniza por um tempo e depois volta como se tivesse arrancado a casquinha da ferida.
Eu não sei o que me dói, eu não sei explicar, só sei que me sufoca, me tira o ar e a alegria. Ontem a noite eu estava cheia de planos pra hoje, pensei em terminar de pintar a casa, queria ir na festinha do João, filho da Barbinha, no parque Shangai, pensei até em marcar de conhecer o tal Eduardo.
Hoje acordei cedo e perdi o sono, mas não consegui levantar da cama até quase 9h. Tomei um banho, arrumei a cozinha e aos poucos fui perdendo o ânimo. Sentei no sofá pra ver tv, e o olhar foi se perdendo diante das imagens, peguei o celular e fui rolando o feed das redes sociais sem me interessar por nenhum conteúdo.
Coloquei a roupa pra lavar e percebi que minha máquina deu defeito novamente, fiz almoço, pensei na minha irmã e na saudade que estava sentindo dela. Almocei e o desânimo só aumentou. Fui me sentindo entediada, mas ao mesmo tempo sem empolgação pra sair de casa. Voltei pro sofá e olhando pra parede, só desejei que o dia terminasse logo, que as horas passassem pra que aquela agonia do meu peito sumisse.
O meu peito foi ficando apertado, a respiração ofegante e tive uma crise do choro. Não queria ficar assim, mas não consegui controlar. Levantei do sofá e decidi beber. Fiz um drink com morango congelado, leite, leite condensado, 88 e gelo. Uma taça de gin cheia até a borda, na metade da taça eu já estava tonta, mole. Voltei a chorar. Guardei a metade do drink e resolvi vir pra minha cama.
Liguei a tv na minha série favorita, e nem ela está conseguindo prender minha atenção. Me questionei o motivo de ter bebido, e minha mente respondeu que "anestesiada" eu penso menos no que me aflige, e que quando durmo, me desligo. É meu momento de paz.
Recebi mensagem de uma amiga que sofre de ansiedade, assim como eu. Não a respondi e nem abri suas mensagens, mas apenas voltei a chorar. Eu só queria não sentir essa agonia, essa pressão no peito. Queria conseguir lidar com isso sem me abalar tanto. Só queria sumir. Só queria dormir.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2025

A vontade de jogar a toalha

Depois de 20 dias de recesso, hoje eu volto ao escritório. E pra ser sincera, não estou feliz. Na verdade, estou ansiosa demais, com um medo. No caminho até o metrô pensei em desistir, novamente pensei em pedir demissão. Nesses dias em casa, tive noites tranquilas, dormindo cedo e acordando muitas vezes antes das 6 da manhã sem a necessidade do despertador. Já essa noite, foi difícil. Me sentindo cansada, querendo dormir mas, com uma inquietação por dentro. Tive pesadelos a noite inteira, sono picado, acordei antes do horário com medo de perder a hora, e coincidentemente, o despertador não tocou.
Agora estou a caminho do escritório, no metrô, debaixo de chuva forte, bocejando a casa 2 minutos cheia de vontade de dormir mais.
Desde que cheguei em casa na terça-feira, não consigo parar de pensar nos problemas que devem estar me aguardando, nas obrigações que tenho, nos afazeres que preciso colocar em dia. É como se a minha cabeça estivesse me punindo por ter tirado o tempo completo de férias. Muito ruim isso!
Continuo pensando em mudar de rumo, sair do escritório e buscar algo na minha área de formação, mas ao mesmo tempo, sinto como se fosse uma traição abandonar o barco que eu sei que precisa de mim.
No dia de hoje só espero que seja um dia calmo, que eu não enfrente nenhum problema gigante que me dê ainda mais motivos pra pensar em jogar a toalha no meio da luta.