Aqueles inúmeros porquês pipocando na minha mente como fogos de artifício em noite de ano novo. É praticamente impossível não questionar os motivos que me trouxeram aqui, que me fizeram desfazer meus planos e sonhos.
Abri mão de um sonho ao abandonar a faculdade, e pelo menos, tive cabeça pra investir o dinheiro em mim, no meu plano de saúde e consegui fazer a minha cirurgia. Acho que foi a única boa escolha que fiz nesses 35 anos.
Dei uma nova chance pra um amor que só eu sentia, idealizei uma vida, investi tempo, dinheiro e dedicação. Dei com a cara no muro de chapisco.
Demorei pra me refazer, precisei abrir mão de um outro grande sonho que estava perto. Me levantei às duras penas, passei à ser sozinha, responsável por uma casa que eu não tinha condições de sustentar plenamente, sem deixar de lado minhas obrigações com meu filho.
Quantos julgamentos! Ouvi coisas que não merecia, apertei o cinto pra conseguir me reestruturar. Levantei. Quando achei que havia vencido, rendi-me.
Outra vez, abaixei a guarda. Dessa vez, eu acreditei mesmo que era hora do meu conto de fadas. Fui feliz demais, família, filhos, casa. Ganhei um carro de presente, me sentia amada no sentido mais pleno.
Só que acabou. Passou. E por acreditar no tal conto de fadas, acabei perdendo o pouco de independência que tinha. Por confiar em alguém que não era eu, fiquei sem o meu lar.
O desespero bateu quando me vi sem ter pra onde voltar, pois havia feito uma escolha ao dar um passo à frente. Naquela altura, era impossível bater no peito e dizer que não dependia de ninguém.
Não tinha muita saída, e confesso que, por orgulho também, não abaixei a cabeça e nem pedi por favor. Fiz a escolha que julguei mais próxima da minha realidade, mesmo que, pra isso, tivesse que abrir mão do papel de mãe, na prática.
Tô tentando, tô seguindo. Tô buscando um caminho, mesmo que ninguém saiba do que se trata. Ainda que não tenha apoio, não tenho ninguém com opiniões contrárias, jogando cal por cima de tudo.
Mas, em contrapartida, eu não tô confortável. Tô me sentindo em dívida, tô me sentindo um peso, mesmo que dessa vez, eu não esteja sendo tratada assim. É tudo com tanto amor, com tanto carinho, que não tô acostumada e não sei como não me sentir incomodada. É controverso, pois, ao mesmo tempo em que me sinto extremamente feliz e grata pela oportunidade, carrego uma angústia de estar sendo oportunista, abusada.
Eu preciso retribuir de alguma forma, necessito devolver essa consideração!
Essa última semana que passei em casa, tenho pensado bastante nisso. Tentando encontrar uma alternativa, algo que faça eu me sentir merecedora desse amparo. Tô rezando pra encontrar essa saída o mais breve possível, não por cobrança externa, que não há, nem nunca houve. Mas, por uma questão pessoal, interna, pra que eu me sinta capaz, digna de estar onde estou, de viver como estou vivendo e de buscar alcançar meu objetivo.
Por hora, só posso reiterar o que venho repetindo infinitas vezes no último ano, sou pura gratidão e nem que viva mil vidas, seria capaz de retribuir à altura todo o apoio que recebo. Gratidão a Deus e ao universo por ter posto um anjo na minha vida que, sem dúvida, me tirou da escuridão.
