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sexta-feira, 29 de outubro de 2021

Sol volte a brilhar

De fato eu não gosto de dias nublados, frios. Não sei se possui mesmo algum tipo de conexão com o lado espiritual, mas dias assim me deixam pra baixo, melancólica. Estava bem, até que ouvi uma música no rádio, que me levou diretamente para um período completamente diferente da minha vida em questão de segundos. E por mais que eu tentasse não pensar, e nem me lembrar de nada, revivi infinitos momentos. E agora? Agora estou aqui às lágrimas (mesmo depois de ter prometido que nunca mais iria chorar), desejando sumir no mundo. Sabe aquela vontade que dá de entrar no carro, pegar a estrada com o som bem alto e sem destino certo? Era tudo que eu queria fazer agora. Viajar, sumir, e só curtir o momento, esquecendo-me do passado e sem pensar no futuro.

Necessidade de um colo, de um sorriso contagiante, de energia boa, solar. Têm alguns momentos em que me sinto tão perdida, tão sem saber o que fazer, ou pra onde ir... Venho segurando a onda já fez alguns meses, acho que desde julho não fico assim pra baixo, mas é tão difícil isso de ser forte o tempo todo. Às vezes sinto uma falta enorme de ter com quem conversar sobre as coisas do cotidiano, de ter alguém pra quem eu possa fazer uma comida especial, alguém com quem eu caia na gargalhada antes de dormir, tirando dos ombros o ‘peso’ do dia inteiro.

Tudo está tão difícil em todos os sentidos. Nem é questão de pensar em desistir, mas o medo do fracasso está me assombrando de uma maneira violenta, sensação de que não vou dar conta. Alguns dias eu simplesmente não consigo fazer absolutamente nada. Fico meio que congelada, tentando organizar os pensamentos pra focar no que importa, mas a luta interna acaba sendo em função de não pensar no que me desestabiliza. Quando dou por mim, mais uma noite se passou e não fiz o que deveria fazer. Não andei pra frente, não saí do lugar.

Estou envelhecendo, o espelho me confirma isso todos os dias, as fotos comprovam o inevitável. O tempo está passando, não estuo conseguindo acompanhar. Esses dias eu pensei, estou com 35 anos, caminhando pros 36 e o que conquistei até agora? Nada. Metade da minha vida se foi e quais frutos eu rendi? Qual o legado que vou deixar pro meu filho?

Sei que chorar não vai mudar nada. Mas, pra aliviar o aperto que fica no meu peito me sufocando, deixar as lágrimas escorrerem é o melhor. Decidi que não vou ficar me entupindo de remédios, e que nem vou ficar mergulhando em garrafas de destilados. Têm certas coisas que a gente precisa encarar, sentir na pele até superar. Vou mais uma vez tentar, enfrentar meus demônios, meus medos, a solidão. Eu já passei por isso outras vezes na vida, e achei que seria mais fácil dessa vez. Mas, não sei se já estou velha, e por isso a dificuldade. Estou me apegando na minha religião, suplicando, pedindo orientação, luz no meu caminhar, direção para que não me perca nos caminhos tortuosos da vida. Minha Mãe há de me ajudar, e se ainda não caí, com certeza foi pela minha fé.

Que essa tristeza passe logo, que o Sol volte a brilhar e que minha força se renove!