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sexta-feira, 14 de abril de 2023

Crise da meia idade

Tá, eu sei que faz um tempo absurdo que não passo por aqui. Tanta coisa nova aconteceu nesse intervalo, e ao mesmo, parece que tudo continua exatamente igual. Coisa meio de maluco, né?!rs
Hoje eu acordei ainda mais pensativa sobre a minha vida, minhas conquistas, minhas escolhas. Ontem, saí de casa pela manhã, bem cabisbaixa, entristecida, me questionando se estava no caminho certo, tentando não me culpar por estar perto dos 40 anos e não ter conseguido alcançar nada.
As lágrimas foram escorrendo discretamente enquanto eu caminhava pela rua, e me senti frustrada, sem propósito. O que eu fiz até aqui? Era a pergunta que vinha à minha mente, e a resposta era automática: "nada". Eu perdi tempo de vida nesses 37 anos? As únicas decisões "certas" e realmente importantes foram o nascimento do meu filho e a minha cirurgia. De resto, parece que foi só tiro no pé. 
Será que é a tal da crise da meia idade? É isso mesmo? A gente fica se questionando infinitamente sobre a vida? Nos últimos dias tenho pensado muito sobre como eu mudei o meu jeito nos últimos anos, mais ainda nos últimos meses.
Conversando com a minha irmã há uns dias atrás, comentei a respeito de uma coisa que eu fazia toda sexta-feira, e desde que meu pai morreu, não tenho mais ânimo, a minha "resenha de eu comigo mesma". Evento que eu fazia praticamente toda sexta-feira após chegar do trabalho, com som alto, clipes na televisão da sala, petiscos, cerveja gelada ou drinks, para tirar o peso da semana com os problemas do escritório, uma maneira que eu encontrei de aliviar a tensão, extravasar, relaxar, mesmo que sozinha na sala de casa.
De uns meses pra cá eu voltei à ter crises de ansiedade, às vezes, sinto que elas estão ainda mais fortes, me consumindo e tirando o meu ar de forma literal, até. 
No escritório, muitas transformações e mudanças, numa visão ampla, as coisas melhoraram, mas o meu medo de errar tornou-se ainda maior. Mês passado, eu cometi um erro grave, erro que eu mesma, ainda não fui capaz de superar. Isso me abalou bastante, fiquei dias sem conseguir dormir, com um aperto no peito me dando a sensação de que não conseguiria respirar. Trabalho com Direito há 18 anos, e nunca havia passado por tal situação, me desesperei, me vi sem chão, pois sei da minha responsabilidade, e antes mesmo de temer o julgamento do meu superior, o meu próprio julgamento era o que estava me fazendo surtar. Simplesmente não conseguia parar de pensar, foram mais de 7 dias agoniada, com a sensação de que meu peito explodiria à qualquer momento, pensando em desistir de tudo. Realmente, conviver com essa coisa de ansiedade não é nada simples, é de enlouquecer mesmo!
Depois disso, venho tendo essa sensação constantemente, parece que estou sempre com o "alerta ligado", como se minha mente estivesse esperando por algo ruim no minuto seguinte. Em alguns momentos o coração acelera muito, dá uma sensação de pânico, muito, muito medo. A vontade de chorar chega, o corpo arrepia, vai dando frio, como se uma nuvem muito escura e carregada me envolvesse, e a tempestade devastadora pudesse desabar no instante seguinte.
Quando lembro da Joseane de 1 ano atrás, penso em uma pessoa diferente. Não posso dizer que era feliz, pois faz tempo que não me sinto assim, mas é como se tivesse perdido o meu brilho, me sinto um tanto quanto apática, sinto um vazio por dentro, como se tivesse faltando algo. Penso e choro, pois não sei o que fazer, como agir. Acho que na verdade, nunca mais vai ser como já foi. Me questiono o que aconteceu de errado, o que fiz de errado. Bate uma dúvida que me consome, e faz com que me sinta ainda mais perdida, será que estou mesmo no caminho certo?
Queria ser dessas pessoas decididas, fortes que seguem em frente sem olhar para trás e não se questionam, mas depois de algumas escolhas péssimas, não confio mais no meu próprio julgamento e fico com receio de fazer tudo errado novamente e passar por toda dor e sofrimento outra vez.
Eu tomei um tombo há 3 anos, e parece que não consegui me levantar desde então. Como se tivesse fraturado a perna, e não sentisse mais segurança pra ficar de pé e apoiar o peso,  sabe?! 
A verdade é essa, venho me sentindo péssima, fraca, desanimada e por muitas vezes com vontade de jogar tudo pro alto. Com saudade da Josie que fui, de como me divertia, de como me sentia leve, sem essa agonia dentro de mim, e ao mesmo tempo, sem fazer a mínima ideia do que fazer para resgatá-la.
A vontade que tenho é de sair por aí sem rumo, só seguir, observar as paisagens, esvaziar a mente, deixar as lágrimas rolarem e procurar não me preocupar com mais nada, só esquecer. Esquecer tudo, esquecer essa vida.

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