Eu não sei o que me dói, eu não sei explicar, só sei que me sufoca, me tira o ar e a alegria. Ontem a noite eu estava cheia de planos pra hoje, pensei em terminar de pintar a casa, queria ir na festinha do João, filho da Barbinha, no parque Shangai, pensei até em marcar de conhecer o tal Eduardo.
Hoje acordei cedo e perdi o sono, mas não consegui levantar da cama até quase 9h. Tomei um banho, arrumei a cozinha e aos poucos fui perdendo o ânimo. Sentei no sofá pra ver tv, e o olhar foi se perdendo diante das imagens, peguei o celular e fui rolando o feed das redes sociais sem me interessar por nenhum conteúdo.
Coloquei a roupa pra lavar e percebi que minha máquina deu defeito novamente, fiz almoço, pensei na minha irmã e na saudade que estava sentindo dela. Almocei e o desânimo só aumentou. Fui me sentindo entediada, mas ao mesmo tempo sem empolgação pra sair de casa. Voltei pro sofá e olhando pra parede, só desejei que o dia terminasse logo, que as horas passassem pra que aquela agonia do meu peito sumisse.
O meu peito foi ficando apertado, a respiração ofegante e tive uma crise do choro. Não queria ficar assim, mas não consegui controlar. Levantei do sofá e decidi beber. Fiz um drink com morango congelado, leite, leite condensado, 88 e gelo. Uma taça de gin cheia até a borda, na metade da taça eu já estava tonta, mole. Voltei a chorar. Guardei a metade do drink e resolvi vir pra minha cama.
Liguei a tv na minha série favorita, e nem ela está conseguindo prender minha atenção. Me questionei o motivo de ter bebido, e minha mente respondeu que "anestesiada" eu penso menos no que me aflige, e que quando durmo, me desligo. É meu momento de paz.
Recebi mensagem de uma amiga que sofre de ansiedade, assim como eu. Não a respondi e nem abri suas mensagens, mas apenas voltei a chorar. Eu só queria não sentir essa agonia, essa pressão no peito. Queria conseguir lidar com isso sem me abalar tanto. Só queria sumir. Só queria dormir.

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