Não vejo a hora dessa semana maldita acabar! To uma pilha de nervos, sem conseguir me concentrar em absolutamente nada! Não tenho paciência pra atender os clientes do escritório, não consigo estudar pras provas da faculdade, não durmo direito... e parece que cada vez mais surgem mais e mais problemas.
Ontem, chorei com um ódio, tremia de nervoso, meu coração parecia que ia saltar pra fora de mim, eu estava realmente passando mal. Não acreditei que estava vivendo outra vez o desespero de ser enganada e passada pra trás. Quase tomei uma atitude que não é do meu feitio, e ainda não sei se fiz bem ou não.
Como se não bastasse esse meu conflito que não podia ser exteriorizado pra não causar ainda maiores confusões, bastou entrar em casa pra ter que ouvir minha avó reclamando de uma coisa que ela reclama todos os dias. A merda de uma lâmpada no meio do corredor, que ela teima em acender todo dia, e o último que passar tem que apagar. Entrou ela no meu quarto, reclamando que eu não apaguei a lâmpada. Respondi que eu não fui a última a subir. Ela desceu soltando fumaça, e minha mãe ainda comentou que não sabia a necessidade dessa lâmpada acesa. - Antes nos subíamos e descíamos perfeitamente com só duas lâmpadas no corredor, minha avó inventou de colocar essa terceira pra "facilitar", e todo dia tem reclamação no meu ouvido. - Quando minha avó subiu, voltou ao meu quarto pra continuar reclamando, foi aí que eu falei que não era justo, eu todo dia escutar reclamação sobre a mesma coisa. Tudo cai sempre nas minhas costas. A doida da minha avó, começou a me chamar de ingrata, mal agradecida, que eu nunca dava razão à ela, que eu estava do lado dos vizinhos, e que ela tinha mais é que aprender a ir pra casa dela, ao invés de ficar aqui ajudando durante a semana.
Simplesmente, fechei a porta do meu quarto, deixei ela reclamando sozinha e comecei a chorar. Era um desespero sem igual... eu estava me sentindo tão pequena, tão mínima diante de tanta coisa, o que eu queria mesmo era sumir do mundo naquele instante. Juro que, se não fosse o meu filho pedindo preu não chorar enquanto chorava junto comigo, se não fosse aquele pinguinho de gente na minha vida, ontem eu teria deixado tudo de lado. Hoje, talvez eu não estivesse aqui, ou então, estivesse numa emergência hospitalar.
Meu filho me dá muito trabalho, me dá muita dor de cabeça, me estressa, mas é só ele que tem o poder de me revigorar, de me fazer levantar da cama pela manhã pra recomeçar tudo outra vez.
Hoje, eu tenho prova de sociolagia na faculdade, o pouco que li ontem sobre a matéria, não me ajudou muita coisa, e agora, não tenho cabeça pra ter 32 páginas que explicam o "ser" do meu "eu interior" e como a sociedade me influencia.
Só o que quero é que sexta-feira chegue logo, que eu termine a prova de História do Direito, e que me sinta segura em relação à minha nota. E, ao sair da faculdade, parar na barraquinha da tia com o povo, e beber até não me aguentar mais em pé. Extravasar e exorcisar os fantasmas que assombraram essa semana crucial na minha vida.

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