De imediato a minha resposta foi que talvez seja justamente pelo fato de eu saber que preciso ir trabalhar, depois emendei dizendo que possa ser devido à conseguir fazer as coisas no meu ritmo, no meu tempo, sem pressa nos fins de semana, sem pressão.
Saí pra fazer a minha aplicação de B12 e no caminho só pensava nisso, como eu acordo nervosa, agitada, me sentindo forçada todos os dias. Acho que não estou feliz fazendo o que fiz nesses 20 anos na advocacia. Muita cobrança, o medo de errar é cada vez maior, é uma cobrança interna, minha. Às vezes me sinto tão cansada de toda essa responsabilidade, de ter que resolver um monte de coisas sem poder falhar. Fico me sentindo mal por carregar esse "peso" e olhando pra minha vida, vejo que aparentemente não saio do lugar. Não importa o quanto eu trabalhe, o quanto faça, eu não consigo gerar nenhuma mudança significativa na minha vida.
Desde o aniversário do meu filho a sensação de impotência aumentou, o tempo inteiro ele me pede coisas, me faz cobranças e a única resposta que dou é 'agora não dá, não consigo '. Eu sei que nem tudo se trata dos presentes que podemos dar aos nossos filhos, mas na minha condição de ausência, oferecer um pouco de conforto, uma melhor qualidade de vida é algo que é importante pra mim.
Eu tenho feito o máximo que dá, mas nem sempre é o suficiente, na verdade, acho que quase nunca é o suficiente. Ainda mais quando os pedidos são feitos em sucessão, com um ar de cobrança, como se fosse obrigação, fazendo com que eu me sinta totalmente frustrada.
Cada dia que passa eu me sinto mais incapaz, mais fracassada, mais triste.
O meu peito fica apertado, parece que vai explodir e às vezes tudo que eu queria era poder acabar com essa agonia, com essa dor que parece que está me destruindo por dentro. Minhas crises de ansiedade estão mais frequentes, e a medicação não está resolvendo muita coisa. Tem dias que eu só queria sumir do mundo, desaparecer, morrer, sei lá... Théo é o maior motivo de ainda não ter desistido, em segundo, minhas contas em aberto. Se eu faltar agora, antes que ele seja capaz de se manter, como ele vai ficar? Vou deixar mais uma responsabilidade exclusiva nas costas da minha mãe, e não é justo.
Queria sair da minha realidade, da minha rotina, mas não tenho ânimo pra isso. É como se fosse um desejo distante, sabe?
Hoje por exemplo, duas amigas me chamaram pra sair de casa. Eu recusei os dois convites. Chorei feito criança depois, mas eu não tenho ânimo pra sair, a vontade é de ficar sozinha, quieta, de preferência, em silêncio. Não estou com vontade de sorrir e nem quero ninguém sentindo pena de mim.
Almocei e como têm sido todo fim de semana, deitei enrolada no edredom e dormi. Acordei visivelmente abatida. Théo perguntou se eu estava passando mal, respondi que não. Ele então, comentou que eu estava aparentando estar triste, respondi que só não estava legal, mas estava tudo bem.
Fui pra cozinha fazer o que ocupa a minha mente, o que me acalma, me diatrai. Cozinhar.
Preparei 2 mousses de chocolate e uma massa de bolo. Dia 07 é aniversário do 'Meliante' (um amigo de infância que a vida afastou, e há 1 ano nos aproximamos, fazendo com que a amizade dele hoje signifique muito pra mim), e eu fiz questão de fazer um bolo pra ele.
Montei tudo, com o maior carinho. Não está lindo, pois a minha condição com o tremor essencial está piorando a cada dia mais, e detalhes estão mais difíceis de fazer, mas espero que esteja gostoso. Fiz um aqui pra casa também, pro Théo levar um pouco amanhã. Depois que terminei, vim pro quarto e em 5 minutos de ócio, os pensamentos voltaram a minha cabeça, as lágrimas rolaram novamente e pra ajudar a aliviar essa sensação de bomba-relógio, resolvi escrever.
Várias outras lágrimas rolaram, a vontade de desistir voltou, mas após dedicar alguns minutos à escrever, estou sentindo o peito um pouco menos apertado.
Acho que dessa vez consegui não surtar!
Um dia de cada vez.

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